O Segredo de Agradar a Deus
Portanto, vá, coma com prazer a sua comida e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz – Eclesiastes 9.7.
José Fulano de Tal morreu ontem. Pobre homem! Consciente dos seus deveres, nunca atrasou no relógio de ponto. Jamais perdeu um trem. Era impensável que acelerasse no sinal amarelo. Correto, pagou todas as suas prestações na data exata. Vestiu a mesma camisa até puir o colarinho. Sempre elegeu o candidato que votou. Leu o jornal diariamente. Teve um enterro comedido, sem muita emoção, parecido como a sua existência.
José Fulano de Tal foi assíduo membro de uma igreja. Submeteu-se aos regulamentos e exigências de sua religião - seu maior desejo na vida era agradar a Deus. Trabalhou incansavelmente nos mutirões do bairro. Contribuiu com entidades filantrópicas. Em sua última jornada, os amigos, parentes e curiosos caminharam circunspetos pelas alamedas do cemitério. Despediam-se de um homem que não conseguiu viver.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta gostar, mas gostar mesmo, de poesia. No poema, a palavra ganha ritmo para sincronizar-se com o pulsar do universo. E nessa magnífica, porém silenciosa palpitação, ressoa a voz do Divino.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta achar tempo para ouvir música. Quando melodia e rima se acasalam, nasce a sublime sonoridade do Paraíso. O Pai Eterno sorri quando seus filhos se aquietam para escutar os artesãos dos salmos, dos noturnos, das toadas, dos réquiens, das cantatas, das óperas, das polcas, do samba, dos hinos, dos recitais, dos corais, do jazz, da bossa-nova.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta amar os livros. É prazeroso para Deus, ver os filhos transcendendo para mundos imaginários através da prosa, da narrativa. Os romances dissecam a alma humana, enaltecem a virtude, expõem a crueldade e quando não sofrem censura, descrevem a realidade crua da vida.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta transformar cada refeição em um ágape, cada aperto de mão em uma aliança e cada abraço em uma declaração de amor.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta deixar-se conduzir por um vento desatento, rumo ao horizonte inatingível; e esperar por um porvir insubstancial. Já que Deus gosta de prados selvagens e de matas sem cercas, viver é arriscar-se. Deus sabe desenhar o arco-íris com as gotas do ribeiro que despenca no precipício. Portanto, só vive quem não teme esvaecer.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta gostar de vinho, de doce de leite, de tapioca com manteiga, de filme de amor, de esporte, de meia hora de sono extra no feriado, de bolo de milho, de cafuné, de beijo, de viagem de férias com dois dias sobrando para descansar do descanso.
José Fulano de Tal deveria ter aprendido que para viver, basta chamar Deus de Pai ou de Mãe.
Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim
quinta-feira, 19 de março de 2009
O Segredo de Agradar a Deus
terça-feira, 22 de julho de 2008
Juber Donizete Gonçalves
O livro do Apocalipse sempre me interessou. Me lembro que aos 13 anos, recém-convertido, li o livro de Lawrence Olson, "O Alianhamento dos Planetas". Houve entre alguns, o pensamento que Cristo poderia voltar naquele ano de 1982, quando estaria ocorrendo o fenômeno. Mas o alinhamento dos planetas aconteceu, e Jesus não voltou. Entre 1985 a 1987, houve um frenesi de alguns pregadores, no meio evangélico, dizendo que o Segundo Advento ocorreria em 1988. Naquele ano, Israel faria 40 como nação. Justificavam a teoria, dizendo que na Bíblia uma geração era de 40 anos, e usavam a frase de Jesus "Não passará esta geração". Mas, 1988 chegou e nada aconteceu. Depois, na passagem para o ano 2000, ocorreu a mesma coisa. Só que, às vezes o pessoal esquece que, ninguém é secretário da Santíssima Trindade, para saber o dia da vinda do Senhor. Jesus disse que "acerca daquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos, nem o Filho, mas o unicamente o Pai". Somos instruídos nos Evangelhos, para olhar para os "sinais dos tempos" e não datas específicas. Sei que, quando se fala em escatologia (doutrina das últimas coisas), existe várias linhas de pensamento no meio cristão sobre o assunto. Mas, não é meu propósito aqui, ficar debatendo: amilenismo, pré-tribulacionismo, pré e pós-milenismo e etc. Eu fico vendo essas discussões intermináveis dos "teólogos", sobre quem vai ser o anticristo, se o arrebatamento é antes, durante ou depois da grande tribulação, se o milênio é literal ou não, e por aí vai. Gente! Como se diz no popular: "o mundo tá acabando e será que ninguém percebe?". Parece o filme Titanic, quando o navio estava afundando e um cara estava louco da vida, querendo pegar o DiCaprio, porque estava com a noiva dele. Enquanto isso, o capitão do navio, tomava o seu chá na sua hora britânica. Outros, naquele momento terrível, ainda querendo tirar proveito das pessoas, para ceder lugares nos botes salva-vidas, que eram poucos. A palavra crise é muito comum nesses dias: crise americana, crise energética e agora fala-se na crise de alimentos. Li o comentário da economista Míriam Leitão, no jornal "O Globo", em que ela diz que, os líderes mundiais estão batendo cabeça para saber o que fazer. Ao mesmo tempo, em que há um aquecimento global no clima, há um esfriamento do amor nos corações dos humanos. O Apocalipse está sendo aberto diante de nós, e muitos ainda não se deram conta disso. Os profetas hoje, são os cientistas, jornalistas, ecologistas. As pedras estão clamando. É hora, de ler e aplicar o Evangelho para a vida e não ficar em discussões intermináveis, que não levam a lugar nenhum. Eu não sei quando será a volta de Jesus, mas sei que ele vem. Não vou ficar discutindo, se o arrebatamento é antes, durante ou depois de algum evento. Só sei, que quando acontecer, eu subo. Meu bilhete já está pago, e o Comandante já avisou que, ele mesmo vai chamar os passageiros. A vinda de Jesus, não pode ser vista como um filme de terror, porque na verdade, ela é a esperança da Igreja. Diz o apóstolo Pedro: "Nós segundo a sua promessa aguardamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça". E ainda, o apóstolo Paulo: "Consolai-vos uns aos outros com estas palavras".
Veja com a lupa do Evangelho
Pois bem, experimentei as sextas-feiras da libertação, reuniões das células, noites da unção (do riso, do choro, do grito, do índio, do salto, do grude, do sapato de fogo, do “ei”, do suco, do dente de ouro, do sopro, da dança dos anjos, da lagartixa, dos quatro seres viventes, do piolho etc.), encontrão, encontros com Deus, fogueirinhas, noites da cura divina, vigílias, cultos no monte, convenção para quebra de maldições, encontros de regressão ao ventre materno, retiro espiritual durante três e sete dias, aulas de línguas estranhas, cultos da fogueira, rejeição de pactos demoníacos, cultos para receber o Batismo do Espírito Santo, ministração de técnicas para um louvor que dê resultados eficazes, noite de intercessão pelas cédulas de identidade, roupas e fotos de familiares, encontros para encontrar a cara-metade, campanhas para obter emprego, casamento, livramento, união familiar, jejuns (dias inteiros, meio dia, uma refeição, e jejuns de televisão, namoro, brincadeiras e esportes), votos de submissão, curas espirituais, marchas, reivindicação espiritual de localidades para Jesus, entre outras coisas que eu não consigo me lembrar.
Muitas destas “excentricidades” foram pagas por mim, porém durante um bom tempo (até 1997) quem patrocinava as minhas estripulias espirituais eram meus pais... É cada uma que a gente faz... Em meio a todos estes cultos, reuniões e experiências, apesar da sinceridade de tantos/as, algumas vezes eu me perguntei: Em qual lugar esconderam o Evangelho? Por que Jesus não está presente? O que fizeram com o Espírito Santo? A qual “deus” estão se referindo? Aquele que tem a sua vida radicalmente transformada por Jesus Cristo faz perguntas como estas... mas, nem sempre obtém as respostas. A vida de Cristo deve nos ajudar a filtrar tudo aquilo que lemos, ouvimos e experimentamos. Quem tem a lupa do Evangelho veja...
Graça, paz e bem!
segunda-feira, 21 de julho de 2008
No Country for old men
Ricardo Gondim
Dei a este texto o título em inglês de propósito. Quero comentar o filme “Onde os Fracos Não Têm Vez”, ganhador do Oscar 2008, produzido pelos irmãos Coen. Como não gostei da tradução, preferi o título original, que descreve melhor a trama dessa produção americana.
Confesso que não gostei quando assisti ao filme. Saí do cinema com a sensação de que vira mais uma apologia de violência, parecida com tantas outras produções hollywoodianas, exageradas nas cenas explícitas de morte e de vingança. Porém, com o passar do tempo, quanto mais medito no filme, mais percebo sua mensagem metafórica.
O enredo é simples. Um acerto de contas entre traficantes num canto escondido do Texas promove uma chacina em que todos morrem. Pela mala de dólares que sobrou, começa uma nova caça de gatos e ratos, envolvendo polícia, traficantes, mexicanos e pessoas comuns. Um xerife prestes a se aposentar, portanto, um “old man”, se vê obrigado a trabalhar no caso, mas seu cansaço é notório. Sem pique diante da maldade, o xerife se revela uma figura tão amargurada que em determinado momento desabafa: “Eu sempre achei que quando ficasse velho Deus entraria em minha vida de alguma forma. Mas ele não o fez. Eu não o culpo. Se eu fosse ele teria a mesma opinião sobre mim que ele tem”. O xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) simplesmente não tem mais forças para enfrentar a maldade que se mostra encarnada, renitente, perene.
Lembrei-me de que o xerife do filme representa todos os que lutam pelo bem e se sentem impotentes diante do avanço da maldade. A luta da polícia, dos investigadores, dos promotores é sem fim. Todo instante alguém tenta fazer o mal. Parece inesgotável a capacidade humana de inventar, imaginar, perversidades. Pedófilos se multiplicam e usam a internet para seduzir crianças. Traficantes se organizam em cartéis. Servidores públicos desviam verbas destinadas à compra de ambulâncias e merenda escolar. Recentemente, o mundo se horrorizou com um pai que por décadas escravizou e abusou sexualmente da própria filha.
As organizações que advogam o direito das crianças, os ecologistas que defendem o meio ambiente, os juízes, os filantropos, os políticos do bem e o clero, semelhantes ao xerife, por mais que batalhem, acabam com a sensação de nunca terem sucesso algum.
Quase diariamente lido com pastores evangélicos esgotados. A luta deles também parece inglória e seus esforços, pífios. Diante da avalanche de maldade que se avoluma, com recursos financeiros minguados e com dificuldade para mobilizar as pessoas para o trabalho voluntário, eles se unem aos outros que se sentem deprimidos.
Não me atrevo, de forma simplista, a resolver esses dilemas. Minha intuição, entretanto, me diz que há caminhos alternativos que podem suavizar a desesperança que se espalhou.
É possível abandonar a lógica dos grandes projetos, das megalomanias, dos messianismos. As antigas propostas globais de mudança precisam ser redimensionadas para pequenas iniciativas. Antes de querer mudar o planeta, devemos cuidar dos quintais. Para enfrentar o aquecimento global, precisamos mudar hábitos cotidianos, como poupar água com banhos rápidos, não abusar do automóvel e, sempre que possível, usar transporte público e até bicicleta. Na política, participar dos conselhos de bairro, envolver-se no chamado terceiro setor e nas pequenas ações de desenvolvimento comunitário.
Há uma historinha interessante, bastante conhecida. Um homem caminhava e ao mesmo tempo devolvia para o mar peixes que a maré baixa deixara agonizando na praia. Alguém o repreendeu ao afirmar que seu esforço era inútil e tolo; não faria a menor diferença salvar tão poucos peixes. Ao que respondeu: “Realmente; mas para os que se salvaram fiz toda a diferença do mundo”. Oskar Schindler não acabou com o holocausto, mas fez toda a diferença para aqueles que resgatou dos fornos crematórios; Martin Luther King não viu o fim do racismo, mas deu dignidade para os que se inspiraram em sua vida e morte; Madre Teresa de Calcutá não resolveu a miséria da Índia, mas todos que morreram em sua clínica se sentiram amados.
O antídoto para o desânimo pós-moderno é concentrar os esforços nas pessoas e não nos empreendimentos. Os projetos devem servir homens e mulheres, nunca o contrário. As pessoas não podem ser consumidas no fortalecimento das instituições. No caso das igrejas, nenhuma programação, nenhum evento, podem tornar-se um fim em si mesmos. Eles estão a serviço dos indivíduos e só adquirem sentido quando promovem a vida.
Jesus de Nazaré amou pessoas, viveu numa pequena vila e não diluiu seus esforços com megaeventos. Ele se deu integralmente a doze homens, acolheu os excluídos e nunca se impressionou com o aceno do estrelato. Sua morte transformou-se no mais contundente triunfo. Assim, antes de terminarmos os dias desiludidos, cínicos, sem alma; antes de nos sentirmos derrotados pelo constante avanço da maldade e onipresente perversidade humana, todos precisamos aprender a nos contentar com atos singelos, com iniciativas despretensiosas, com feitos simples.
“Soli Deo Gloria”.
Fonte: http://indoaoalvo.blogspot.com/
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Sobre Musica do "Mundo"
Braulia Ribeiro
Sobre música do mundo, e música do (sub, sobre, extra, fora, ex, pàra, outro??) mundo
Conheci pessoalmente o Don Richardson, missionário na Papua Nova Guiné, autor do best seller "O Totem da Paz”, amigo, homem humilde e que honra o trabalho que nós brasileiros fazemos entre os índios do Brasil. Numa entrevista particular uma vez, meu marido lhe perguntou: Se voce tivesse de começar de novo, o que faria de diferente no seu ministério entre os sawis? Uma pergunta delicada, na verdade um eufemismo para: - "qual foi o grande erro que você cometeu e que não repetiria se tivesse uma nova oportunidade?”
Ele pensou, pensou, o que é um bom sinal, para um homem com um ministério tão bem sucedido, conhecido mundialmente, deve ser difícil lembrar de algum erro... E finalmente disse: - Duas coisas; primeiro eu não teria traduzido corinhos da igreja Indonésia para a igreja Sawi, e o segundo teria usado dramas ao invés de pregação falada para ensinar o evangelho...
Pode parecer pouco para os não iniciados, mas para nós antropo-etno-linguo-teo-missionários foi a admissão de um grande erro. Ele estava dizendo que teria introduzido o evangelho numa forma cultural sawi e não na forma estrangeira... A maneira de cultuar, a maneira de pregar usada pelos sawis que são quase que 70% cristãos, é estrangeira, eles louvam indonesiamente, talvez até saibam cantar: ...”sim Deus é bom”... na sua própria língua.
Vamos sempre em cultos missionários, tristes a meu ver, quando se canta “yes God is good, sim Deus é bom, Deuso jahaki ada”, e por aí afora em muitas línguas, com uma alegria burra, crendo-se que o grande propósito de Deus para o universo humano é formar na terra uma imensa e uniforme igreja evangélica.
O erro que Don cometeu, também cometeram os que primeiro nos pregaram o evangelho, e também continuamos cometendo nós líderes cristãos do Brasil de hoje. No último encontro nacional de JOCUM que se crê vanguarda e as vezes é mesmo vanguarda em alguns aspectos, na frente de quase mil jovens, liderarando uma reunião pedi que a equipe de louvor tocasse “Velha Infância” dos Tribalistas para louvarmos a Deus com intimidade. Minha sorte foi que muitos dos líderes presentes não souberam que fui eu que encomendei a música, (acho que vão ficar sabendo agora), senão provavelmente eu teria sido proscrita da função de presidente nacional poucas horas depois de ter assumido. Ao mesmo tempo que a música trouxe um espírito doce e especialmente terno para toda a platéia, encheu a boca e o coração dos jovens presentes de alegria, a casa caiu depois para o líder de louvor, e ele teve que enfrentar muitas caras feias até o último dia...
Gosto de tocar “Um índio” de Caetano Veloso quando prego em congressos, e Maria Maria, do Milton que considero músicas essenciais no entendimento de nossa identidade brasileira. Infelizmente nosso Jesus evangélico não é brasileiro. Ele é internacional, e por internacional leia-se americano-europeu do norte. Este Jesus fala inglês, louva medievalmente para algumas denominações e hosana-music-vineyard-mente para outras. Mas como um religioso fariseu, coloca-se sempre à parte da cultura, acima dela, desprezando-a completamente ao invés de restaurá-la, redimí-la, legitimá-la, comunicando-se com ela. Este Jesus fariseu-evangélico ora pelas praças usando shofares (o que é isto?) se proclamando santo e desprezando tudo e todos ao seu redor. Fala num jargão de gueto cultural, e se comunica apenas com seus “iniciados” e sua mensagem é obsoleta e irrelevante para a população em geral.
Um dia numa conferência ouvi um pastor repreender em nome de Jesus “a cultura africana de nosso meio”. Coisa triste. Não me admira que na Bahia cresça tanto o número de negros que buscam sua legitimação étnica no Candomblé. Formas culturais, danças, músicas ritmos, não são pecadoras ou santas em sua essência. São formas, vasilhas, caixas na qual se depositam as bençãos de Deus, ou maldições... Na mesma conferência me deram vinte minutos para dizer algo, e num acesso de loucura pintei a cara de índia e disse que ainda veria o mesmo povo louvando ao som de centenas de tambores baianos numa timbalada poderosa e santa. Queixos se deslocaram do lugar, cabelos se arrepiaram de horror, mas inúmeras pessoas se sentiram “misteriosamente” livres para amarem quem são, suas músicas, suas danças, curtirem MPB e dançarem danças africanas em homenagem ao Deus que criou todos os povos.
Baby do Brasil numa conferência em Abril me disse que viu, pentescostalmente falando, o Espírito de Deus de maneira maravilhosa ungir a música “Brasileirinho” e centenas de pastores do G12 dançarem enlouquecidos ao som do chorinho símbolo do Brasil... É o fim dos tempos? Além de G12-mente “heréticos” estes pastores agora também se “secularizaram” de maneira perigosa? Ou será que a revelação de que Deus nos ama a nós brasileiros como somos em todas as nossas manifestações culturais, está chegando até os segmentos mais radicais do evangelho no Brasil?
Fico com a última opção. Deus é amor, não é fariseu, exclusivista, preconceituoso, racista. E além de tudo, só nós ainda não sabemos, Deus é brasileiro.
Bráulia Ribeiro
quarta-feira, 16 de julho de 2008
No essencial, unidade; nas diferenças, liberdade; e em ambas as coisas, o amor
Bráulia Ribeiro
Outro dia ouvi na rádio local um programa que imitava os crentes. Até demorou para que os humoristas achassem o filão de clichês ridículos do meio evangélico, que deve ser mesmo muito engraçado para os de fora. Poucos dias depois, um irmão veio me visitar e me mostrou os programas de “humor” que tinha produzido para o rádio. Não é que o programa que eu havia escutado, com todo o sarcasmo cruel anti-crente, era dele mesmo? Doeu-me, mas, infelizmente, não me surpreendeu tanto assim. Esta é a nossa postura mais comum. Um contra todos e todos contra um.
Peter Meiderlin, teólogo luterano da cidade de Augsburg, na Alemanha, escreveu, em 1627, um livrete, descrevendo um sonho em que Cristo lhe aparece pedindo que vigie pois será tentado. Logo depois o diabo, vestido de anjo de luz, aparece dizendo que vem da parte de Deus e começa a profetizar a respeito da necessidade de os eleitos se manterem puros na sã doutrina. A verdade que eles herdaram deve ser preservada numa nova denominação doutrinária, livre da contaminação de heresias. Quando o teólogo ora sobre o que deverá fazer, imediatamente o diabo some e Cristo reaparece, encorajando-o a permanecer fiel à simplicidade e humildade de coração. Ele acorda do sonho e escreve o tratado que termina com esta frase: “Si nos servaremus In necessariis Unitatem, In non-necessariis Libertatem, In utrisque Charitatem, optimo certe loco essent res nostrae” (No essencial, unidade; no não essencial, liberdade; e em ambas as coisas, a caridade).
Parece-me que o cenário cristão da Europa do século 17 não é muito diferente do cristianismo de hoje. O diabo continua usando a mesma estratégia para impedir que a oração de Jesus por nós (João 17) seja respondida. Ele se especializou em nos manter afastados uns dos outros, em nome da própria verdade que deveria nos unir. Distanciamo-nos por causa da pureza doutrinária. Acreditamos que nosso “logos” é melhor que o dos outros, esquecendo que o logos é a encarnação do perdão e da humildade e a razão principal por que deveríamos buscar a unidade e não a exclusão. Rotulamos pastores, igrejas, correntes doutrinárias, grupos inteiros de cristãos, desprezando-nos mutuamente, com ironias e sarcasmo.
Apesar de termos certeza de que nossa doutrina é pura, esta pureza é muito difícil de ser definida. Na crença de certas culturas indígenas que categorizamos de animistas, se define vida humana pela “perfeição genética”. Qualquer tipo de “anomalia” — desde a concepção de gêmeos, até más-formações mais graves como síndrome de Down, paralisia cerebral etc. — contradiz a suposta “perfeição” que definiria o que é um “ser humano” real. Do alto de nosso conhecimento ocidental, criticamos estas crenças animistas. Uma criança gêmea não é encarnação do demônio só porque nasceu mais magrinha. A outra, deficiente, pode ser fonte de muita alegria para os pais, apesar de seus problemas. A vida humana é preciosa, não importa a forma. Ao comparar estas crenças e nossa definição de cristianismo, percebemos que somos teologicamente tão animistas quanto eles. Só consideramos cristãos aqueles que se encaixam em nossa definição do que seja uma doutrina perfeita e sadia. As anomalias podem ser desprezadas, abandonadas, e até cruelmente assassinadas por nossas palavras.
Orgulho e Preconceito
Recentemente comecei a me deixar assustar por fantasmas, não sei se fruto dos anos ou das circunstâncias. Na jornada da vida, as críticas, as altas expectativas e os baixos níveis de compromisso me deixaram atada a amarguras, feridas e lepras. Os fantasmas dos irmãos que não perdoei me atormentam, cutucam, me visitam nas noites insones, me tiram a paz e me azedam o suco gástrico, causando dor física. Até agora nunca tinha me prendido a nada assim. Caminhei até aqui numa jornada de perdão constante, quase alienado, que se re-expunha, se re-feria inúmeras vezes, mas continuava presente. Devo dizer que esta vida “delirante” do perdão é mais feliz do que a vida “racional” da amargura.
Como diz Derrida, o perdão que exige troca social (o outro se arrepende, portanto eu posso perdoá-lo) não pode ser chamado de perdão. O perdão de pés no chão, que se precavê, que reforça defesas, que cobra arrependimentos, é um mecanismo social humano, nada mais. O perdão divino e verdadeiro, o único que merece esse título é aquele incondicional, excepcional e extravagante. Perdôo porque sim. Perdôo total e completamente, sem cobranças e sem resquícios. Perdôo porque as pessoas não mudaram e não merecem ser perdoadas. Aliás, o perdão não tem objeto, basta-se a si mesmo. Enquanto eu não entendi isso, sofri interiormente por alguns meses na mansão assombrada da família Adams.
Dias atrás minha colega Carol veio me visitar. Amiga de muitos anos, risada alta, Carol chegou sem sorrir, fixou em mim seus olhos azuis e disse, tirando da testa a mecha grisalha para que eu visse, sem duvidar, a centelha que eles queriam me passar: “Bráulia, estava orando por você e Deus me disse que ele está te vendo.” Conversamos um pouco mais e ela se foi.
Deus me vê! Saí da sala me sentindo a heroína do romance de Jane Austen, observada à distância por Mr. Darcy, sabendo reconhecida por ele a beleza, adivinhadas as curvas nas muitas pregas do vestido, os lindos seios num decote que revela o colo e nada mais. Ainda consigo seduzi-lo. Sou a noiva, a esperada. Julgava-me a preterida, a escrava; no entanto o Rei me vê como imaculada, a noiva desejável. Ele me vê.
Aquela noiva da “Valsinha”1, sobre quem um dia escrevi com esperança, fez sentido outra vez. A igreja soterrada de paradoxos sociais, enredada em seus orgulhos e preconceitos, apagada na burca de sua ignorância, se ergue novamente, remexe no armário e reencontra suas vestes de festa.
Os olhos dele não me vigiam para me acusar, me perscrutar ou me envergonhar. Eles não me desnudam impudicos como os olhos dos homens sentados em um bar fazem com as distraídas que passam. Eles não me consomem em demanda egoísta de prazer pessoal, se é que a metáfora ainda cabe. Eles me vêem inteira, com bondade e respeito, me vêem como o cavalheiro inglês, antevendo-me a minha beleza sublime, para mostrar-se forte.
Mesmo me achando questionadora, comprei, sem perceber, a coerção moral infantil através do conceito do Deus amedrontador. Comprei para mim e vendi a meus filhos a idéia de olhos que vigiam, cobram e julgam. Mas a imagem principal de nosso noivo não é esta. São seus olhos que embelezam a noiva com seu perdão excepcional, esquizofrênico e divino. É ele que a embeleza, não ela a si. A idéia prevalecente na Palavra sobre ele é de embevecimento, carinho, auto-sacrifício, misericórdia e benignidade. A religião o transforma em juiz. Sentir seus olhos sobre mim (Sl 33.18; 34.15; 2Cr 16.9) me revelou novamente seu amor. E à luz deste amor caminho devagar para fora da mansão das sombras das amarguras e desesperanças.
terça-feira, 15 de julho de 2008
A SEDUÇÃO DA ORTODOXIA
Paulo Brabo
A primeira e mais persistente imperfeição a tentar roubar o brilho da originalidade de Jesus como apresentado nos evangelhos foi o gnosticismo. Decalcado sem sutileza da visão de mundo das religiões de mistério, o gnosticismo crê, essencialmente, que a salvação está condicionada ao acesso a um conhecimento secreto – a gnose – através do qual o iniciado nos mistérios da religião pode conectar-se à divindade e beneficiar-se dela.
Alguns crêem que o Apóstolo escreveu a maior parte de suas cartas para combater o alastramento da mancha gnóstica no seio virgem da igreja primitiva; outros juram de pé junto que Paulo não estava ele mesmo imune à sua influência, e que muitas de suas passagens e argumentos promovem ou pressupõem a visão de mundo gnóstica.
Certo é que nenhum outro conceito tem permeado tão unanimemente e por tanto tempo a mentalidade cristã de todas as tendências e estirpes do que a confiança tipicamente gnóstica na supremacia ou na necessidade de um conhecimento secreto – isto é, específico – como condição para a salvação. Com o tempo, naturalmente, o gnosticismo foi demonizado com este nome; entre os cristãos o conhecimento secreto passou a ser chamado e idolatrado como crença correta – ou ortodoxia, que é como se diz em grego.
Só a ortodoxia salva.
A relação dos cristãos com a ortodoxia é primordialmente idolátrica. Se pressionados, cristãos de todos os matizes acabarão concordando que não é uma religião particular que beneficia o adorador, mas algum aspecto da bondade divina expresso na vida, morte e/ou ressurreição de Jesus. Na prática, no entanto, todos tentarão convencê-lo de que para beneficiar-se desse privilégio gratuito é necessário abraçar determinado conjunto muito específico de noções a respeito de Deus, da vida e da salvação. A esse conjunto de “crenças corretas”, que nenhuma facção cristã tem em comum com a outra, é que se dá o nome fortuito de ortodoxia.
A paixão com que os cristãos defendem seus pontos de vista uns contra os outros reflete com precisão a extensão de sua ortodoxolatria. Jesus é muito bonzinho e tal – mas só a ortodoxia salva, e ninguém vem a Jesus se não for por ela.
Ortodoxolatria – ou gnosticismo cristão – é a crença praticamente universal (entre os cristãos) de que para beneficiar-se do favor de Jesus é preciso sancionar uma série racional e muito específica de assertivas a respeito de como Deus funciona. Ser cristão não é, segundo essa visão, uma postura pessoal de confiança no cacife de Jesus; não é questão de posicionamento moral, psicológico ou espiritual. Para os partidários da nova gnose ser cristão é assunto da cabeça e da razão; depende da consistência do nosso discernimento intelectual, demonstrada pela filiação ao rol apropriado de afirmações teológicas – em detrimento, naturalmente, de todas as outras.
É por sermos todos ortodoxólatras que entre a leitura deste parágrafo e do anterior uma igreja em algum lugar se dividiu e se criaram duas – cada uma acenando com sua própria versão da gnose, o conhecimento apropriado que tem poder para salvar. Gente que sentava-se no mesmo banco para cultuar estará a partir deste momento separada pelo abismo de sua fé inabalável na necessidade da crença correta. Terão discordado irreparavelmente sobre algum ponto crucial da sã doutrina: se mulher tem direito a pregar, se Jesus visitou o inferno, se milagres acontecem, se o arrebatamento vem antes ou depois do milênio, se o Espírito é derramado em uma ou duas prestações, se Jesus ressuscitou, se um homem pode dormir abraçado a outro; se cristão pode se divorciar, abortar, assistir televisão, cortar o cabelo, tomar cerveja, ouvir Raul Seixas, ler ficção científica, usar camisinha, suicidar; se é certo usar crucifixo, votar em comunista, acender uma vela, comprar a prestação, pagar o dízimo, fazer o sinal da cruz, chorar aos pés de uma estátua, jogar na loteria, batizar criança, fazer sexo antes, durante e depois do casamento. As combinações são incontáveis, e cada facção proporá sua versão particular da gnose. Uma única coisa todos os grupos apresentarão em comum: a fé subjacente e implacável na ortodoxia, o paradigma que pressupõe a supremacia e a necessidade de uma única posição doutrinária/teológica/ideológica formal e a conseqüente demonização das outras. Como dizia Borges, interessa-lhes menos Deus do que refutar os que o negam na sua versão.
Essa confiança nos benefícios inerentes de uma apreensão intelectual adequada dos mecanismos de Deus não poderia estar mais distante da postura de Jesus, para quem apenas comparações podem produzir um vislumbre da natureza do Reino e – mais importante – todos os homens podem beneficiar-se da postura cavalheiresca de Deus, independentemente do acesso a qualquer conhecimento secreto ou específico. A inescapável graça de Deus, segundo Jesus, está pronta a agir em favor não apenas dos pecadores – o que deveria parecer por si mesmo admirável – mas também dos incompetentes, dos deficientes, dos tolos, dos insensatos, dos imaturos. A verdade foi escondida, garante Jesus, dos doutos e estudados e revelada aos mais parvos dos discípulos. Para entrar no Reino é necessário que nos tornemos “como crianças” – condição que não denota, ao contrário do que se pensa, um atestado de inocência, mas de incompetência. Para beneficiar-se do Reino é preciso ser incapaz. Requer-se não ter noção do que está acontecendo e não ter noção de como parar o processo aparentemente irreversível do qual fazemos parte. É preciso ser capaz de baixar a bola e delegar o controle e a compreensão do que está acontecendo a outro. É preciso ter uma vaga idéia, não certeza. Fé, não crenças. Confiança na suficiência do cavalheirismo de Deus, não no mérito arbitrário da ortodoxia.
Paulo Brabo
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Escolho meus amigos pel......
Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Louco que senta e espera a chegada da lua cheia.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham
pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que anormalidade é uma ilusão imbecil e estéril.
PS. Aos loucos varridos e santos que, como eu, insistem em acreditar na amizade!
Para não perder a glória de chorar
PARA NÃO PERDER A GLÓRIA DE CHORAR
LUÍS CARLOS BATISTA
O protestantismo brasileiro aprendeu a rejeitar a cultura brasileira. E quando o tema é música popular brasileira a rejeição é ainda mais marcante. Se não é música com temática evangélica, então sua origem é satânica. Trata-se de uma concepção teológica míope. São desconsiderados conceitos teológicos importantes como a graça comum e a imago dei.
A graça comum nos ensina que Deus derrama dádivas sobre todos os seres humanos. Ele deixa a chuva cair sobre bons e maus (Mt 5.45). A graça comum nada tem haver com a graça que salva o pecador. Trata-se das dádivas que Deus dá independente da fé. Por este prisma podemos considerar o talento de um músico, de um professor, de um médico, como dádivas divinas. Frutos da graça comum.
O conceito de “imago dei” nos ensina que os seres humanos foram criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-27). Há algo de Deus em todos os seres humanos. É claro que o pecado manchou esta imago dei original, mas não a destruiu totalmente. Assim um ser humano sem a fé em Jesus é capaz de criar coisas maravilhosas, como também é capaz de atos pecaminosos terríveis. Ele vive nesta tensão.
Diante destas duas concepções, podemos então olhar para os grandes talentos da música popular brasileira de forma menos julgadora e maniqueísta. Um disco como “Construção” (1971) de Chico Buarque só pode ser gerado pelo fato da graça comum ter atingido o compositor brasileiro. Uma obra como esta não é diabólica, muito pelo contrário, carrega dentro si algo de Deus. Só pode ser divina a inspiração para a força poética das letras, a beleza das melodias e a inventividade dos arranjos. E aqui não estou falando de salvação ou relacionamento pessoal com Deus, falo de graça comum.
Inspirado em um artigo que li do Pr. Ed René Kivitz, quero combinar música brasileira e teologia cristã. E escolho o grupo carioca Los Hermanos. Um raro raio de criatividade que brilhou no pobre cenário atual da música brasileira, envenenado por axé, pagode, funk e similares. O grupo teve uma estréia tímida com o disco homônimo de 1999. O sucesso veio com a mediana “Ana Júlia”. Foi, porém, com o segundo disco (“Bloco do Eu Sozinho”) de 2001 que eles mostraram todo o seu talento. Forjaram um caldeirão sonoro riquíssimo com rock, pop, MPB regado a um bom instrumental com metais contagiantes. O disco seguinte (“Ventura”) de 2003 comprovou de vez o absurdo talento musical do grupo. Não ocorreram mais sucessos radiofônicos como no primeiro disco, mas em termos de qualidade o grupo dava saltos fabulosos. O último disco (“4”) de 2005 decepcionou um pouco, um tanto morno demais. Aí veio a separação, porém a indelével marca do grupo já foi deixada na música popular brasileira.
E neste meu ensaio de teologia e MPB, escolho uma canção do terceiro disco do grupo: “O Vencedor”. A letra fala de pessoas que se consideram fortes e vitoriosas. Pessoas que caminham do lado oposto do autor da letra. Estes vitoriosos estão salvos de sofrer, crêem que perder é ser menos na vida e não gostam de chorar. São bravos e fortes, mas na verdade escravos. Não há espaço em suas vidas para o sofrimento, o choro, o aprender com as derrotas. São os vencedores conforme os padrões da atual sociedade.
O autor na letra diz que “Eu que já não quero mais ser um vencedor \ Levo a vida devagar pra não faltar amor”. Ele rejeita a vitória que não dá espaço para a dor, para o sofrer, para o amor. E prefere ser alguém que ama do que um bravo e inabalável vencedor. Como amar sem sofrer e chorar? Se para vencer não há espaço para tropeços e lágrimas, então não há espaço também para o amor. E por fim nosso autor conclui que “E eu que já não sou assim \ Muito de ganhar \ Junto às mãos ao meu redor \ Faço o melhor que sou capaz \ Só pra viver em paz”. Novamente rejeita a vitória dos bravos, e prefere o caminho da paz.
Podemos concluir que para o autor da letra, a vitória sem sofrimento e sentimento não é na verdade uma vitória. Do que adiante vencer sem amor e paz? Nas entrelinhas da letra podemos perceber que a verdadeira vitória passa por sofrimentos e sentimentos, e é conduzida por amor e paz. É claro que o grupo Los Hermanos não fala especificamente de teologia em sua letra, mas é possível traçar um interessante paralelo entre a letra e a teologia cristã.
O conceito bíblico de vitória também vai na contra-mão do conceito atual de vitória. A “vitória não é dos fortes, nem dos que correm melhor”, já dizia uma antigo hino evangélico. Paulo diz que quando está fraco é que ele torna-se forte (II Co 12.7-10). Jesus pregava que felizes são os pobres, os que choram, os que são perseguidos (Lc 6.20-22). Para o cristão o caminho da vitória não passa por dinheiro, poder, fama. Passa sim pelo amor de Deus que nos leva a amar o próximo. E como amar o próximo sem vivenciar sofrimento e sentimentos intensos? Como amar o próximo nos colocando como bravos e indestrutíveis? E quem trilha o verdadeiro caminho do evangelho vive em paz. Na tríplice paz descrita no Novo Testamento: com Deus, consigo mesmo e com o próximo.
Viver a vitória descrita no Novo Testamento é diferente de ser um vencedor em nossa sociedade. Paulo diz que “somos mais do que vencedores, graças aquele que nos amou” (Rm 8.37). Os comentaristas destacam que o termo “amou” no original grego está em um tempo verbal que indica um evento histórico específico. Só pode ser a cruz de Cristo. No que foi para a sociedade da época a grande derrota de Cristo, na verdade foi sua vitória. E somos vencedores graças a esta vitória. Porém a cruz só pode ser vista como vitória pelos olhos da fé, pelos olhos humanos não passa de uma grande derrota.
Um verso da canção do Los Hermanos é realmente digno de nota aqui: “Olha lá quem sempre quer vitória \ E perde a glória de chorar”. No Novo Testamento o verdadeiro sofrimento é realmente glorioso. Paulo fala em sermos co-participantes do sofrimento de Cristo (Rm 8.17). O triste é constatar que muitos cristãos preferem à vitória baseada no dinheiro, poder e fama, e assim perdem a glória de chorar. “Bem aventurado os que choram”. Preferem os jatos, iates, carros do ano, malas cheias de dinheiros. É a doentia pregação da Teologia da Prosperidade sobre vitória financeira. Esta vitória eu não quero, prefiro a vitória da cruz e a glória de chorar.
Segue abaixo a letra na íntegra de "O Vencedor" (Los Hermanos)
Olha lá quem vem do lado oposto
E vem sem gosto de viver
Olha lá que os bravos são escravos
Sãos e salvos de sofrer
Olha lá quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor,
Levo a vida devagar pra não faltar amor
Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração
Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?
E eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz.
Fonte:http://www.hojeteologia.blogspot.com/
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Eu também não te condeno
Ed René Kivitz
Pode procurar que você não vai achar. Não importa aonde vá, estou absolutamente convencido de que há duas coisas que você nunca vai achar. Você pode correr o mundo e o tempo, e tenho certeza que jamais conseguirá achar alguém que não se envergonhe de algo em seu passado. Para qualquer lugar que você vá, lá estarão elas, as pessoas que gostariam de apagar um momento, uma fase, um ato, uma palavra, um mínimo pensamento. Todo mundo tenta disfarçar, e certamente há aqueles que conseguem viver longos períodos sem o tormento da lembrança. Mas mesmo estes, quando menos esperam são assombrados pela memória de um ato de covardia, um gesto de pura maldade, um desejo mórbido, um abuso calculado, enfim, algo que jamais deveriam ter feito, e que na verdade, gostariam de banir de suas histórias ou, pelo menos, de suas recordações.
Isso é uma péssima notícia para a humanidade, mas uma ótima notícia para você: você não está sozinho, você não está sozinha. Inclusive as pessoas que olham em sua direção com aquela empáfia moral e sugerem cinicamente que você é um ser humano de segunda ou terceira categoria, carregam uma página borrada em sua biografia, grampeada pela sua arrogância e selada pelo medo do escândalo, da rejeição e da condenação no tribunal onde a justiça jamais é vencida. Você não está sozinho. Você não está sozinha. Não importa o que tenha feito ou deixado de fazer, e do que se arrependa no seu passado, saiba que isso faz de você uma pessoa igual a todas as outras: a condição humana implica a necessidade da vergonha.
A segunda coisa que você nunca vai encontrar é um pecado original. Não tenha dúvidas, o mal que você fez ou deixou de fazer está presente em milhares e milhares de sagas pessoais. Não existe algo que você tenha feito ou deixado de fazer que faça de você uma pessoa singular no banco dos réus – ao seu lado estão incontáveis réus respondendo pelo mesmíssimo crime. Talvez você diga, “é verdade, todos têm do que se envergonhar, mas o que eu fiz não se compara ao que qualquer outra pessoa possa ter feito”. Engano seu. O que você fez ou deixou de fazer não apenas se compara, como também é replicado com absoluta exatidão na experiência de milhares e milhares de outras pessoas. Isso significa que você jamais está sozinho, jamais está sozinha, na fila da confissão.
Talvez por estas razões, a Bíblia Sagrada diz que devemos confessar nossas culpas uns aos outros: os humanos não nos irmanamos nas virtudes, mas na vergonha. Este é o caminho de saída do labirinto da culpa e da condenação: quando todos sussurrarmos uns aos outros “eu não te condeno”, ouviremos a sentença do Justo Juiz: “ninguém te condenou? Eu também não te condeno”.
É isso, ou o jogo bruto de sermos julgados com a medida com que julgamos. A justiça do único justo reveste os que têm do que se envergonhar quando os que têm do que se envergonhar desistem de ser justos.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Do deserto ao oásis
Às vezes me canso. Dias há nos quais nem consigo olhar para um jornal. E olha que sou viciado em notícias. Mas chega um ponto em que tenho algo como uma indigestão mental, por conta de tantas notícias ruins. Fico angustiado, inquieto. Guerra, fome, ameaça da volta da inflação, corrupção, pedofilia, isso só para citar algumas das péssimas notícias com as quais estamos lidando ultimamente.
Aliado a isso ainda tem aquelas notícias que não se recebe pela imprensa, mas que também devasta a alma: um casal amigo que se separa, um jovem amigo que morre estupidamente, uma pessoa próxima que vai embora, um outro que perde o emprego, e coisas do tipo.
A vida, em alguns momentos, parece ficar meio sem sentido. Alguém já disse que nascemos, sofremos e morremos. Viver é correr riscos o tempo todo e isso pode ser assustador. A dor é quase uma constante. Se não a sua própria, é a dor do outro que aflige quem tem o mínimo de sensibilidade.
O mundo parece oprimir e sobrecarregar as pessoas com seus sistemas iníquos, com a imposição da lei do mais forte, do mais belo, do mais rico, do mais inteligente, do mais religioso, do mais articulado, do mais esperto. Até a oração, quem diria, dizem que tem que ser uma oração “forte”. Ai de mim, então, que só tenho orações fracas, que clamam por misericórdia. A oração, em si, já é uma demonstração de fraqueza, e é por isso que ela nos fortalece.
Quando estou me sentindo arqueado, como um peregrino num deserto inóspito, com a boca seca e contemplando um mundo feio e sem cor é que escuto com mais nitidez as palavras ditas há dois milênios e que ecoam ainda hoje: “Venham a mim, vocês que estão cansados e sobrecarregados eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo, porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Aqui fica bem claro que a mensagem de Jesus é de leveza e descanso, em meio a um mundo opressor. Num mundo cheio de desgraça ele acena com um algo novo, uma boa notícia, a graça!
Graça é isso: leveza, descanso, alívio. A mensagem do Reino de Deus é cheia de graça. Quando compreendo isso consigo enxergar que o fato de no mundo haver tanta feiúra, isso não quer dizer que não haja também beleza. O fato de existirem seres humanos capazes das piores atrocidades, não anula o fato de existirem outros tantos capazes dos gestos mais grandiosos e belos. Apesar das tantas notícias ruins, existe uma notícia boa: o Reino de Deus já chegou e está próximo de nós e sua mensagem é cheia de graça e de verdade.
Num deserto de opressão, medo, desgraças e dores, é possível vislumbrar um oásis de justiça, paz e alegria, onde há leveza e descanso. E não se trata de uma miragem, mas da possibilidade real de ter um relacionamento com Deus, que nos faz mais humanos e cheios de esperança de que dias melhores virão. No meio do deserto, um convite para descansar num oásis. Para mim é assim que soam aquelas palavras de Jesus.
Márcio Rosa da Silva
sexta-feira, 20 de junho de 2008
A VONTADE PERFEITA DE DEUS
Se nossa vida estiver de acordo com os conselhos gerais de Deus para seu povo apresentados na Palavra escrita, então estaremos dentro da vontade geral e moral de Deus. Se, além disso, recebermos uma palavra específica de Deus relacionada a um assunto particular e a obedecermos, estão estaremos totalmente dentro da vontade específica de Deus para nós quanto ao assunto em questão.
Mas, suponhamos que a palavra específica não nos venha em alguma questão de grande importância em nossa vida. (Por exemplo: devo estudar nesta ou naquela faculdade? É melhor morar aqui ou lá? Seria bom trocar de emprego?) Será que isso significa que quanto a essa questão não conseguiremos estar na vontade perfeita de Deus ou que só o conseguiremos por sorte, após adivinharmos, com ansiedade, o que Ele quer que façamos?
É certo que não! É necessário resistirmos com firmeza à tendência de jogar a culpa pela ausência de uma palavra de Deus ao pensamento de que isso significa que nos afastamos do caminho e estamos fora da vontade perfeita de Deus. Se vivemos em devoção sincera ao cumprimento dos propósitos de Deus em nós, podemos ter certeza de que Ele, que veio até nós em Jesus, não vai resmungar, implicar conosco nem nos enganar quanto a nenhuma atitude específica que deseja que adotemos. Por mais que eu enfatize esse ponto, nunca será demais, já que a tendência a pensar da forma contrária é, obviamente, muito forte e está sempre presente.
Pense da seguinte maneira: nenhuma pai bem-intencionado ocultará suas intenções de seus filhos. Um princípio geral para interpretar o comportamento de Deus em relação a nós aparece nas palavras de Jesus: "Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai que está nos céus dará o Espírito Santo a quem o pedir!" (Lc 11.13)
Quanto mais do que nós nosso Pai celestial dará instruções claras aos que pedem com sinceridade, sempre que Ele tiver orientações a dar? Quando Ele nada disser, estejamos certos de que isso é o melhor para nós. Então, qualquer coisa que esteja dentro da vontade moral e que for feita em fé é sua vontade perfeita. Não é menos perfeita por não haver sido ordenada por Ele de forma específica. Aliás, talvez seja mais perfeita exatamento por Ele não ter visto necessidade de dar ordens específicas. Ele conta com nossa escolha, confia em nosso bom senso e avança concosco pelo caminho que tomamos.
Diferentes cursos de ação podem, então, estar dentro da vontade perfeita de Deus em uma determinada circunstância. Deveríamos presumir que isso é verdade em todas as situações em que caminhamos de acordo com a sua vontade geral, ouvimos sua voz e, ao buscar, não encontramos nenhuma orientação específica. Em casos assim, é comum haver várias opções que agradariam a Deus, embora Ele não nos direcione para nenhuma delas em especial. Todas estão perfeitamente dentro de sua vontade, porque não há nenhuma melhor do que as outras para Ele, e todas são boas. Ele não mandaria você escolher outra que não a que você está seguindo. (Claro que estar dentro da vontade perfeita de Deus não significa que você não erra mais! É possível estar na vontade de Deus sem tornar-se um ser humano perfeito).
Em seu livro Decision Making and the Will of God (Tomada de decisões e a vontade de Deus), Garry Friesen critica com maestria a visão de que Deus tem um plano especial para ser seguido em cada situação, que a decisão correta depende de descobrir qual é esse plano e que, se não conseguirmos, estaremos apenas na vontade permissiva de Deus, na melhor das hipóteses, e seremos cidadãos de segunda classe no reino de Deus. Contra essa visão danosa, Friesen afirma:
O ponto principal é: Deus não possui um planejamento de vida detalhado, criado sob medida para cada crente e que precisa ser descoberto para tornar-se decisões acertadas. O conceito de uma "vontade individual de Deus" [nesse sentido] não pode ser abalizado pelo raciocínio, experiência, exemplos nem ensinamentos bíblicos.
Assim, a vontade perfeita de Deus pode oferecer, para uma pessoa em particular, várias alternativas diferentes. Por exemplo, para a maioria, várias opções ao escolher-se cônjuge (ou ausência dele), vocação, instituição de ensino ou local de moradia podem estar, de igual forma, na vontade perfeita de Deus, não sendo nenhuma delas, por ela mesma, melhor ou preferida por Deus em relação ao resultado final que Ele deseja alcançar.
Quem busca com sinceridade deveria assumir que isso acontece e avançar com fé em Deus se não receber nenhuma palavra específica sobre o assunto que o preocupa após um período de tempo razoável. Tudo isso é coerente com a existência, algumas vezes, de apenas uma opção que se insira perfeitamente na vontade de Deus para nós. Precisamos pensar em nossas escolhas uma de cada vez, exatamente como vivemos um dia após o outro, confiando em Deus.
Assim como o caráter só é revelado quando nos permitem, ou exigem, que façamos o que queremos, também a intensidade e a maturidade de nossa fé só se manifestam quando não recebemos nenhuma orientação específica. Uma fé robusta e madura não faz apenas o que mandam. Pelo contrário -- nas palavras de Willian Carey, quando foi para a Índia como missionário pioneiro --, a fé inabalável "tenta grandes realizações para Deus e espera que Ele faça grandes coisas". Essa fé acompanha ativamente o trabalho a ser feito, a vida a ser vivida, confiante na companhia bondosa do Pai, Filho e Espírito Santo. A redenção não anula a iniciativa humana; antes, a intensifica imergindo-a no fluir da vida de Deus. Quem possui uma visão amadurecida de Deus e experiência em seus caminhos não precisa viver em ansiedade obsessiva para fazer o que é certo. Na maior parte do tempo, sabe o que é certo. Porém, a confiança não está em uma palavra do Senhor, mas no Senhor, que permanece conosco.
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Dallas Willard, Ouvindo Deus, p.256-259
dLIVEr blog
quarta-feira, 18 de junho de 2008
A eficácia pedagógica de Jesus: Um novo paradigma de Espiritualidade
Os gregos denominavam “pedagogo” os escravos que tinham a nobre missão de conduzir os menores aos seus mentores, portanto, historicamente o termo pedagogia denota, basicamente, a imprescindível “arte de conduzir ao conhecimento”.
Os evangelhos deixam transparecer em suas narrativas que a primitiva característica da pedagogia pode ser claramente percebida na inter-relação de Jesus com as pessoas, em sua rápida, porém significativa, trajetória na palestina do primeiro século.O caminhar pedagógico do Mestre tinha como objetivo inaugurar um novo modelo de Espiritualidade, requisito indispensável para quem almejasse habitar no benfazejo Reino de Deus, cuja ênfase estava em conduzir homens e mulheres a se apropriarem da verdade libertadora e salvífica.
Evidentemente que para conduzi-los para além de suas cativas existências fazia-se necessário enfrentar algumas estruturas perversas - patriarcalismo, legalismo, ritualismo, dogmatismo, hipocrisia - que aumentavam ainda mais o abismo entre a religião oficial e a as pessoas, em suas reais necessidades espirituais.
Podemos arriscar, com base nos evangelhos, que a pedagogia de Jesus é libertadora, pois proporcionava às pessoas, escravizadas por um sistema religioso sem vida, respirar o ar puro da doce e graciosa misericórdia.O processo ensino-aprendizagem em Jesus, além de ser desafiador, assume um rosto “festeiro”, ele come, bebe e celebra com “alunos delinqüentes”, refeições que tinham um significado comprometedor, pois significavam declaração irrestrita de profunda amizade.
Outra característica que merece toda atenção na ação pedagógica de Jesus é o diálogo franco, aberto, nivelado e, acima de tudo, problematizador, que conduz as pessoas a fazerem suas escolhas sem qualquer tipo de constrangimento.O quarto capítulo do evangelho de João, cujo texto descreve detalhadamente o encontro de Jesus com a mulher Samaritana, mostra a eficácia pedagógica de Jesus na construção de um novo paradigma de Espiritualidade.
Ao conversar com uma mulher Samaritana Jesus enfrentou, ou melhor, desprezou as convenções perversas de sua época, pois não era socialmente adequado um homem conversar em público com uma mulher, e não era também menos inadequado um Judeu dialogar com uma desprezível Samaritana, que além de todas estas características indesejáveis, não tinha um currículo moral dos melhores.
Por último, Jesus liberta a mulher e a todos nós da miopia religiosa que vê a presença do Senhor apenas em espaços geográficos específicos e consagrados, confinando-o a determinadas construções humanas, como se fosse possível enquadrá-lo em Templos.“Mas vem a hora – e é agora - em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura” Jo 4: 23.
Verdadeiros adoradores, verdadeira Espiritualidade, verdadeira liberdade, onde encontrá-los?
Valdinei Gandra
Fonte:http://lbotelhos.blogspot.com/
sábado, 14 de junho de 2008
O missionário
David Livingstone nasceu na Escócia, em 1813. Em sua mocidade, ele decidiu-se a propagar o cristianismo na África e tornou-se o maior missionário que aquele continente já conheceu.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
O mega negócio do evangelho
Li em um site evangélico uma reportagem pedindo oração por uma cantora brasileira que está sendo evangelizada por um pastor. Chamou-me a atenção o fato de que a referida cantora usa expressões comuns dos crentes para comunicar-se com seu público durante os shows. Expressões tais como “a nossa apresentação vai continuar e tudo vai dar certo porque o Sangue de Cristo tem poder” e “Deus vos abençõe ricamente.”
Admiro o trabalho evangelístico que muitos homens e mulheres de Deus fazem no meio artístico. Muitos “destes famosos” têm se convertido genuinamente ao Senhor, e depois de muitos anos têm demonstrado uma vida de testemunho cristão e uma vida pautada pela Palavra de Deus.
Outros tornam-se evangélicos apenas por modismo nesta onda de constantinização moderna. Transferem sua fama suja para a igreja, baseada em sua vida corrupta e perversa, e são disputados em programas evangélicos e em igrejas em busca de audiência e frequência.
O que me chamou a atenção não foi o uso das expressões conhecidamente evangélicas, mas a soma de muitos fatos relacionados a outros artistas e cantores que se dizem cristãos, e como milhares de evangélicos de fato são, porém nominalmente.
Há quem apresente um programa pornográfico de TV e se diga "crente" e é membro de uma “igreja evangélica” inclusive.
Há um conjunto que se apresenta em shows mundanos e programas de TV cantando músicas seculares e são “crentes.”
Há atores e atrizes que se beijam em cenas de novelas, protagonizando triângulos amorosos e fazendo papéis que a Bíblia ordena “nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos” que são “crentes”.
Afinal de contas qual é o problema de trabalharem em novelas, se mais de 70% dos evangélicos as assistem diariamente, as produzidas pelo canal de TV de propriedade de uma igreja evangélica, inclusive? A Bíblia porém declara: “Não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as.”
Deixa eu ir direto ao assunto: se a outra artista famosa, recém batizada ainda rebola, dança axé e tudo o mais, ela pode até ser evangélica, mas ainda não nasceu de novo.
Ninguém que ainda vive na prática do pecado nasceu de novo. “Qualquer que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; porque a Sua semente permanece nele, e não pode pecar, porque é nascido de Deus.”
E o que dizer dos pregadores que aceitam somente convites onde suas demandas são aceitas, tais como hotéis de certa categoria, venda estipulada de seus produtos e pagamento de oferta mínima?
O que dizer dos cantores gospel que cobram cachês, alguns deles até continuam tendo a mesma vida devassa de antigamente e apresentam em igrejas e mais igrejas, endossados pela ingenuidade de muitos pastores?
A cantora pode clamar o sangue de Cristo duas mil vezes, que fazendo o que faz no palco e cantando o que canta, suas palavras não passam de jargões evangélicos.
O pregador famoso que prega em todo o Brasil e no exterior, e que há alguns meses atrás cobrou três mil reais para fazer uma cruzada, e quase “depenou” o pobre pastor que não conseguiu levantar o dinheiro para “pagá-lo”, pode até pregar muito bem, mas não passa de um mercenário da fé e um “pentecostal” hipócrita.
E o cantor e a cantora gospel que procedem com tais práticas são “levitas de aluguel”, “paquitos e chacretes evangélicos” que conhecem somente o átrio do templo de Herodes onde os mercadores vendiam seus produtos.
Para milhares a Pregação do Evangelho tornou-se uma profissão e deixou de ser a Pregação do Evangelho da Cruz para tornar-se apenas uma profissão.
A Mensagem da Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo tem sido aviltada pelos neologismos e "inventices" desta geração fraca e pobre de pregadores.
Pregadores de um "evangelho" de conveniências que desconhecem a Cruz e a Santificação sem a qual ninguém verá o Senhor. De um “evangelho” de vendilhões do templo que desconhecem a Graça das Palavras de Jesus: “De Graça recebei, de Graça dai!“
Não venham me dizer de que “é dígno o obreiro de seu sálario” como desculpa para suas cobranças de cachês, contratos publicitários e acordos comerciais! O obreiro é digno de seu sálario, mas não o comerciante do Evangelho nem o mercantilista da fé.
"Deixe o ímpio o seu caminho e se CONVERTA AO SENHOR" é a mensagem do Juiz de toda a Terra. Sem conversão não há salvação. Sem testemunho (frutos) o machado que está posto à raiz da árvore vai trabalhar direitinho.
I JOÃO CAPÍTULO 3 AINDA É A PALAVRA DE DEUS! Aquele que vive na prática do pecado ainda não nasceu de novo nem sequer conheceu a Deus. Ainda pertence ao Diabo! Seja cantor, pastor, pregador, crente e quem quer que seja!
A coisa está muito esquisita! As referências e padrões bíblicos de nossos pais na fé há muito já foram desprezadas.
Estou cansado desta mega empresa e deste mega negócio que virou a igreja evangélica brasileira onde a maioria destas empresas de produção musical, igrejas-empresas, etc abarrotam-se de lucros em nome do Louvor e Adoração a Deus. Onde centenas e milhares de seus pregadores levantam ofertas oferecendo a multiplicação do dinheiro e a prosperidade, o paraíso na terra e as bençãos gratuitas de Deus. Protagonizam a versão moderna da venda das indulgências! Seus líderes são opressores dos pobres pastores que precisam bater todo o mês a cota de dízimos de suas congregações! Enquanto a igreja católica comercializa ídolos dos santos eles comercializam-se a si mesmos, suas imagens farisaicas e seus sermões repetidos.
Esta raça de hipócritas deveria deixar de fantasiar e passar a tratar as coisas de Deus à sério.
Muitos deles casam, descasam, furtam, exploram, vivem uma vida de luxúria em nome da prosperidade "divina" e produzem canções para o mercado evangélico. É isto mesmo: igrejas empresas, profissionais da fé, empresários. Sua linguagem é o lucro e a transação comercial seu sangue. Contratos e ofertas: se não receberem não cantam, não pregam, não fazem o show. Gente morna que o Senhor vai vomitar de Sua boca se não se arrependerem. No Evangelho não cabe empresários do Evangelho nem profissionais. O Evangelho não é negócio, definitivamente!
Ah! Que o Senhor levante pelo menos uns 12 João Batistas para desmascarar esta farsa que é a igreja evangélica brasileira.
Que o Senhor tenha misericórdia destes artistas e atrizes famosos para que venham conhecer o Verdadeiro Evangelho que anuncia a Salvação pela Graça, por meio da Fé em Jesus, através do Arrependimento.
"Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus." Se não nos arrependermos não escaparemos da ira do juízo de Deus.
A IGREJA NÃO É DE ROMA
Josimar Salum
“Que fareis pois irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.” (I Cor. 14:26)
Desconhecemos a espontaneidade e a liberdade nas reuniões do Corpo de Cristo, com a participação ativa dos crentes e não de alguns poucos, porque não entendemos ainda o que significa Igreja. É preciso compreender: desfez-se a reunião, e o ajuntamento dissolveu-se, não existe mais igreja. Igreja é reunião, é ajuntamento, é assembléia.
“Mas chegastes ao monte de Sião e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial... à universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus e a Deus... e a Jesus...” (Hb. 12:22-24).
O tempo exige espaço para prover sua limitação, para demarcar sua referência de um acontecimento. “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em Meu Nome, ai estou no meio deles.” (Mt. 18:20). Jesus manifesta Sua presença na temporalidade dos encontros humanos nesta igreja de dois ou três pararelamente reunindo-se eternamente naquela igreja (assembléia) de milhares de primogênitos.
Estavam todos reunidos no mesmo lugar (At. 1:2), era a igreja. Dizer que a igreja estava reunida é uma redundância. Era a comunidade de irmãos e irmãs que numa constante dinâmica de relacionamentos entre si e em comunhão com Deus aguardava o derramamento do Espírito Santo, que João Batista chamou de Batismo. (At. 1:5).
A igreja não é de Roma, são todos os que estão em Roma, amados de Deus, chamados santos. (Rom. 1:7). A igreja de Deus está em Corinto (I Co. 1:3; II Co. 1:1), quando se reúnem no Nome Jesus e Ele está no meio deles. São as igrejas da Galácia; em cada cidade ou vila se congregam e porque estão congregados naquele tempo determinante são igreja (Gl 1:2). São os santos que estão em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus (Éf. 1:1). São os que estão em Filipos (Fp 1:1) e em Colossos (Cl. 1:2). É a igreja dos tessalonicenses em Deus, não que pertença a eles, são eles mesmos quando estão reunidos, em assembléia (I Ts 1:1, II Tes. 2:1).
Dissociar IGREJA da ídeia de lugar definido, templo, denominação, prédio, edifício, “igreja” que continua sendo “igreja” mesmo quando não estão reunidos é exercício difícil do pensamento; tem-se que renunciar violentamente os axiomas e dogmas estabelecidos; tem que se desvencilhar e se desatar das tradições dos séculos protestantes e evangélicos; tem que ter coragem para romper com paradigmas cauterizantes e engessados de natureza puramente religiosa; tem que romper com sistemas hermenêuticos históricos que há muito roubaram os meios de se chegar até às Escrituras despreconceituosamente e tem que santificar-se, separar-se para a Verdade, pois é possível se libertar deste hibridismo – santo-profano – para entender por Revelação a discernir o Corpo de Cristo que definitivamente não está dividido.
Toda “igreja” tem um altar e um púlpito. O altar serve para uma classe sacerdotal exercer suas funções e o púlpito serve para discriminar os santos de Deus. “Mas vós sois a geração eleita, sacerdócio real (sacerdotes e reis), a nação santa, o povo adquirido para que anuncieis as virtudes daqueles que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.” (I Pe. 2:9).
O rebanho de Deus reconhece que o Espírito Santo constituiu bispos que o apascenta, mas sendo resgatado com o próprio sangue de Deus (conforme Atos 20:28), tem acesso livre ao Altar nos céus que elimina categoricamente qualquer altar na terra. Existiram na terra até à crucificação de Jesus altares pagãos e altares para Deus, depois da Cruz de Jesus, o último altar de Deus na terra, todo altar na terra se tornou pagão. Jesus é o Altar Eterno de Deus e é somente Nele e através Dele que nos encontramos com Deus.
O púlpito sacraliza a voz do que fala em Nome de Deus. É somente para “os escolhidos.” Não é canal de todos os santos. Estes se silenciam para ouvir a voz do que fala. De fato, o púlpito roubou a liberdade dos santos de edificarem uns aos outros, porque se um somente edifica o culto não é do Corpo, mas do pastor ou daqueles que falam ou ministram. O púlpito atrai para si o referencial do próposito essencial da igreja em relação a nós, que os santos se reúnem para edificar uns aos outros. O apêndice tornou-se o destaque e aniquilou a função do corpo.
A figura do pastor-regente é exigência do programa, projeto escrito e minucioso, que dá a conhecer os pormenores de um espectáculo. Leituras, período de louvor, avisos, coleta, pregação, com algumas variantes, todo domingo é o mesmo. Os shows evangélicos moderninzaram o culto e o sofisticou. Mas continua sendo o sistema de palco e platéia, espetáculo e pláteia, figura do Panteão grego. E os deuses se multiplicam.
Se somos santos de Deus e entendemos as coisas do Espírito, não seria o caso de percebermos que o tipo de culto que temos é o mesmo praticado a 500 anos? Não seria o caso de voltarmos para o Novo Testamento e examinarmos as Escrituras para comprovar se estas coisas eram assim? (At. 17:11)
É preciso restaurar o culto às Igrejas, onde irmãos e irmãs edificam-se uns aos outros com o que Deus lhes deu, numa comunhão perene de gente que não segue um programa, não requer um animador para conduzí-los e que dispensa estrelismos. O que passar disto é entretenimento. Por melhor e até edificante que seja é outra coisa, não chame de igreja, à Luz da Biblia não pode ser e definitivamente não é.
Igreja: “onde estiverem dois ou três reunidos em Meu Nome, ai estou no meio deles.” (Mt. 18:20).
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Dogmas e a Cristandade
Esta metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo…”
Raul Seixas
Parece que tem sabedoria nas palavras do Raul, apesar de tudo. Provavelmente quando cantava ele pensava estar criticando o status quo, a estrutura vigente. E nada mais representativo desta estrutura do que o cristianismo. Ele com certeza achava que estava batendo de frente com o pensamento cristão…
Mas será que estava? Somos criticados, nós os cristãos, por mantermos padrões, seguirmos doutrinas e dogmas. Mas o cristianismo vivo e dinâmico nos leva para muito além dos dogmas, aliás chega a chamar os dogmas de idolatria. Este cristianismo nos incentiva a “conhecer e prosseguir conhecendo”, numa busca incessante e sincera: “buscar-me-eis e me achareis quando me buscares de todo coração”. Este conhecimento também é o tipo conhecimento que deve gerar em nós algum tipo de transformação pessoal. Não é meramente intelectual, mas é dinâmico e humano, entra fundo em nós gerando mudanças constantes.
Só é capaz de buscar aquele que não tem. Para que possamos ser a motivados a continuar conhecendo, temos que reconhecer que não sabemos. Este é o estado de alma da metamorfose ambulante. Estou sempre disposto a mudar através do conhecimento que adquiro. Me metamorfoseio constantemente numa nova pessoa, através de mais revelação da pessoa de Deus. A isto se referiu Carlos Finney, grande avivalista do século XIX, quando dizia que devemos nos converter todos os dias. O que conheço de Deus hoje não é o suficiente, preciso mais, ainda que este conhecimento novo venha questionar idéias anteriores, desafiar meus conceitos, ou gerar novos paradigmas de comportamento na minha vida.
O cristão não dogmático (soa como uma contradição de termos para você? Pois não é…) não é um cristão sem convicções profundas. Mas ao invés de valorizar em primeiro lugar a doutrina à respeito de seu Deus ele valoriza seu relacionamento com o próprio Deus. O Deus vivo, dinâmico, que muda, não em caráter e valores morais, mas que muda na sua estratégia de confronto com o ser humano, na dispensação da sua presença, na quantidade de revelação que derrama, Deus que encobre coisas (Deuteronômio29:29) mas que as revela aos justos (Daniel 2:47). E que vai “brilhando mais e mais.” na nossa vida, “até ser dia perfeito” (Provérbios 4:18).
O preço desta vida de metamorfose é muitas vezes uma certa insegurança. Para onde estou indo? Será que isto é certo? É tão fácil se segurar em dogmas, que todos o fazem, principalmente os não cristãos… O próprio Raul tinha dogmas. Alguns dos quais provavelmente inquestionáveis. Eram com certeza, os não-não. - Não há Deus, não há caráter humano que preste – não há nada bom no velho, no “establishment”, e com certeza não há nada de bom que se possa esperar no novo também…
A diferença de um cristão sem dogmas e de um pseudo livre-pensador é que o cristão sabe que é limitado, que não sabe tudo nem jamais saberá e de que necessita de uma âncora além de si mesmo para se segurar. Esta âncora não é um dogma doutrinário, mas o relacionamento com uma Pessoa, amorosa, sensível e divina. O cristão deve a esta Pessoa submissão e humildade. Ele tem que trazer sua mente escravizada a esta pessoa: “trazendo cativo todo pensamento à pessoa de Cristo“. Mas o intelectual-liberal no entanto não “deve” nada a ninguém. Ele é seu próprio Deus. Sua âncora é sua razão e nela está seu orgulho. “firmado com os pés no estribo de sua própria razão” ele nunca vai além de si mesmo, anda em círculos ao redor de seus dogmas pessoais, e vive cego pela idolatria da razão. Este não é capaz de se metamorfosear nunca, porque não há mudança possível para alguém cuja única referência são suas próprias idéias…
Ah Raul, quão enganado você estava…
Braulia Ribeiro
Braulia Ribeiro - Pioneira no Norte do Brasil trabalhando entres tribos indígenas, é missionária de Jovens Com Uma Missão desde 1980. Formada em Etno-lingüística pela University of the Nations no Havaí, e com mestrado em Lingüística Antropológica pela Universidade Federal de Rondônia dá assistência lingüística e antropológica às equipes que trabalham nas tribos e é coordenadora acadêmica do campus da Universidade das Nações em Porto Velho. É casada com Reinaldo Ribeiro e juntos lideram o Ministério Transcultural em Porto Velho-RO. Leia também seus artigos na revista Ultimato e Eclésia.
Seja um Idiota
A idiotice é vital para a felicidade.Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes,separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja um idiota!Ria dos próprios defeitos.E de quem acha defeitos em você.Ignore o que o boçal do seu chefe disse.Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele.Pobre dele.Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice.Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?hahahahahahahahaha!...Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?Quanto tempo faz que você não vai ao cinema? É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?Desaprenderam a brincar.Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal.Entendeu?Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar banho de chuva. Pule corda!Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.Teste a teoria.Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios"."Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche".
As circunstâncias entre as quais você vive determinam sua reputação. A verdade em que você acredita determina seu caráter. A reputação é o que acham que você é. O caráter é o que você realmente é... A reputação é o que você tem quando chega a uma comunidade nova. O caráter é o que você tem quando vai embora... A reputação é feita em um momento. O caráter é construído em uma vida inteira... A reputação torna você rico ou pobre. O caráter torna você feliz ou infeliz... A reputação é o que os homens dizem de você junto à sua sepultura. O caráter é o que os anjos dizem de você diante de Deus.
( Texto de Arnaldo Jabor)











